Dentro de um sonho
Uma vez tive um sonho em que estava em um lugar mágico. Talvez mágico não seja a melhor palavra, era um lugar... Curioso. Parecia que a ficção e a realidade se coincidiam ali e a lógica era tão modelável quanto uma massinha. Apesar disso, emanava uma energia um tanto quanto familiar.
Deparei-me com amigos conversando com Sherlock Holmes e tomando chá com biscoitos na companhia de pássaros falantes (que não eram papagaios). Einstein morava na casa feita de doces da bruxa de João e Maria. Shakespeare conversava com uma personagem que eu mesma criei. Buda e Rocky jogavam adoleta. Minha família cozinhava pratos um tanto quanto exóticos acompanhados de Scooby Doo e Salsicha. Chegou um momento em que eu simplesmente desisti de compreender a lógica.
Um fato interessante é que todos pareciam me conhecer, como se eu também fosse uma figura importante ali apesar de nunca ter conhecido muitas daquelas pessoas pessoalmente. Mas no final das contas era um sonho, então talvez eu até fosse mesmo alguém de destaque nesse lugar estranho.
Enfim, andei por entre toda aquela linda confusão. Joguei xadrez com o Batman, cantei junto de Calvin e Haroldo, fui a alguns casamentos de personagens que desconhecia. E quando me dei conta já estava acordando.
Durante o dia no entanto, senti como se nunca tivesse realmente deixado aquele sonho. E de noite retornei para lá, sempre com essa sensação estranhamente confortável. Assim foram por algumas noites, nem todas eu sonhava com aquele local, mas sabia que de alguma maneira ou outra eu estava fadada a voltar ali.
Demorei algum tempo para perceber que não era apenas um sonho. Todas as noites (e as vezes durante o dia também) eu estava a visitar Hyutari, o lugar dentro da minha mente onde vivem todas as minhas histórias.
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