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Afonso Martins

               Karma está caminhando por entre uma vizinhança tranquila, completamente vazia. Composta principalmente de pequenos sobrados colados uns aos outros, sem quintal, com a rua bem estreita e uma padaria de bairro na esquina. Mesmo não tendo nenhuma alma, curiosamente ouve-se sons de crianças alegres correndo e brincando, além de algumas vozes abafadas de adultos.             Ela está como uma mulher em seus 30 anos, usa um vestido de alça rodado cor salmão e botas coturno, junto de um boné preto escrito “Karma” estilizado como uma capa de álbum de heavy metal. Ela observa com atenção o bairro que, apesar de calmo, exala uma aura um pouco assustadora.             - Hmm, interessante.             Ela estende a mão para a direita e aparece um papel, sempre junto do fio ver...

O trabalho de um contador de histórias

      Histórias são universais todo mundo gosta de ouvir uma boa história, independente de idade, gênero, nacionalidade. Seja ela uma música, um livro,  um desenho ou até mesmo apenas um círculo de amigos conversando. Há quase tantas opções quanto tipos de público, ou seja, para cada história tem alguém que se interessará por ela.     Isso do ponto de vista do espectador, mas o que elas significam para a pessoa que as cria? Outro dia estava conversando com um amigo, um contador de histórias como eu, e me deparei com um pensamento interessante. A essência de criar está intrínseca em nós. Não é apenas uma motivação ou um hobby, a história não está para nós, nós estamos para a história. É como se estivéssemos colocando algo pra fora, de natureza boa ou ruim, e moldando para transformar aquilo em uma narrativa, como um verdadeiro artesão. A criação nos faz sentirmos vivos e dá propósito para a própria existência do criador.      Além de que, talv...

Alin Stoian

               Um homem de jaqueta de couro e olhos cansados entra pela porta de luz com uma flor de lótus em mãos. Ao atravessá-la completamente a flor em suas mãos flutua e lentamente se transforma em uma pessoa, outro homem, aparentemente de meia idade, os cabelos estavam começando a se acinzentar e tem até que poucas marcas de expressão, usa um colete de lã sobre uma camisa preta lisa.             - O-o que está acontecendo? Onde eu estou?             - Você está morto, esse é o Além. – responde secamente o homem de jaqueta. – Vou te responder duas perguntas, depois vou passar as instruções do que você tem de fazer.             Ele continua andando devagar, com as mãos nos bolsos, seu companheiro o segue, receoso.           ...

Sistema Amicitia

FADE IN CENA 1 – NEBULOSA – EXT – “NASCIMENTO” Uma grande nebulosa, com imensas MASSAS DE GASES SE MOVENDO, gradativamente o centro fica mais em foco. Onde é ainda mais nítida a movimentação, contraindo e retraindo como um coração, cada vez usando de mais gases e se CONCENTRANDO NO CENTRO. Ao formar uma pequena ESFERA, a nebulosa começa a emitir LUZ e continua a se expandir, com isso os gases diminuem também. A movimentação vai diminuindo e no lugar da grande nebulosa está agora uma recém nascida estrela, ANICCA. CENA 2 – ESPAÇO – EXT – “AFASTAMENTO” Animada, Anicca vaga pelo universo sem rumo. Cruza caminho com alguns ASTEROIDES, ela acena contente para eles mas ao se aproximarem, subitamente MUDAM sua trajetória. Ela estranha a reação e continua seu caminho. Após poucos anos-luz, ela finalmente encontra com um PLANETA. Anicca, vai a seu encontro, e antes mesmo que ele mesmo a percebesse e ela chegasse perto, o planeta se afasta um pouco na DIREÇÃO OPOSTA dela. A est...

Sobre as histórias

      Eu ainda não sei qual vai ser a frequência que eu vou estar postando (vou tentar pelo menos um post por semana). Vou estar escrevendo contos, crônicas e roteiros de curtas autorais também. Ainda não sei bem usar o blogspot mas acho que consigo separar eles por marcadores pra ficar mais fácil de achar aqui dentro. É isto, obrigada pela atenção :D

Dentro de um sonho

     Uma vez tive um sonho em que estava em um lugar mágico. Talvez mágico não seja a melhor palavra, era um lugar... Curioso. Parecia que a ficção e a realidade se coincidiam ali e a lógica era tão modelável quanto uma massinha. Apesar disso, emanava uma energia um tanto quanto familiar.     D eparei-me com amigos conversando com Sherlock Holmes e tomando chá com biscoitos na companhia de pássaros falantes (que não eram papagaios).  Einstein morava na casa feita de doces da bruxa de João e Maria. Shakespeare conversava com uma personagem que eu mesma criei. Buda e Rocky jogavam adoleta. Minha família cozinhava pratos um tanto quanto exóticos acompanhados de Scooby Doo e Salsicha. Chegou um momento em que eu simplesmente desisti de compreender a lógica.     Um fato interessante é que todos pareciam me conhecer, como se eu também fosse uma figura importante ali apesar de nunca ter conhecido muitas daquelas pessoas  pessoalmente. Mas no final d...